JI-PARANÁ, RO – A Justiça de Rondônia decidiu que Samuel Gualberto de Souza, de 23 anos, enfrentará o Tribunal do Júri pelo assassinato de Genésio Paulo Gonçalves. A decisão de pronúncia, proferida nesta quarta-feira (4) pela juíza Mariana Pinheiro de Macedo Correa, mantém as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de corrupção de menores.
O Crime e a Falsa Motivação
O homicídio ocorreu no dia 25 de novembro de 2024, no Bairro JK. Segundo os autos, a vítima estava sentada em uma cadeira na calçada, descansando ao lado da esposa após um dia de trabalho, quando foi surpreendida por dois homens em uma motocicleta. Samuel teria descido do veículo e disparado pelo menos seis vezes contra Genésio, que morreu no local.
A investigação aponta que a execução foi ordenada pela facção criminosa Comando Vermelho. O grupo teria decidido pela morte de Genésio após rumores de que ele teria praticado um crime sexual contra a filha de um membro da facção. No entanto, a polícia e a família da vítima negam qualquer indício de abuso, reforçando que Genésio era um homem trabalhador e sem antecedentes criminais.
Tecnologia a favor da investigação
Um dos pontos cruciais para a identificação do autor foi o uso da tornozeleira eletrônica. No momento exato dos disparos, o sistema de monitoramento apontou que Samuel estava posicionado exatamente em frente à residência da vítima.
Além dos dados de GPS, a Polícia Civil reuniu outras provas robustas:
Confissão Informal: Durante o trajeto para a delegacia, o acusado teria demonstrado "orgulho" pelo crime, utilizando o termo "Jack" (gíria prisional para estupradores) para justificar o ato.
Corrupção de Menor: O crime foi cometido em parceria com um adolescente de 16 anos, que pilotava a motocicleta.
Vídeos e Vestimentas: Imagens de câmeras de segurança e vídeos no celular do acusado ajudaram a ligar Samuel à arma e às roupas utilizadas no dia da execução.
Próximos Passos
Na sentença de pronúncia, a magistrada destacou que existem indícios suficientes de autoria e prova da materialidade para que o caso seja decidido pela sociedade, por meio do Conselho de Sentença.
"O acusado visou atender ao interesse da facção criminosa, que decidiu pela morte da vítima após a notícia de que teria praticado suposto crime sexual... a vítima estava desprevenida, descansando quando foi atingida de forma inesperada", registrou a magistrada.
Samuel Gualberto de Souza permanece recolhido na Penitenciária Dr. Agenor Martins de Carvalho. Com o trânsito em julgado desta decisão, será marcada a data do julgamento pelo Tribunal do Júri.
Fonte: Via Rondônia
Publicada em 09 de fevereiro de 2026 às 09:45